União Europeia coloca acordo com Mercosul “no frigorífico”, diz consultora

Por Paulo Amaral | euqueroinvestir.com

A Eurasia, companhia de avaliação de risco político, informou nesta sexta-feira que União Europeia colocou no frigorífico o acordo de livre comércio com o Mercosul.

De acordo com o director Emre Peker, e o analista para o Brasil Filipe Gruppelli Carvalho, um dos factores que pesaram nessa decisão foi a desconfiança em relação co-comprometimento do Brasil com metas climáticas e ambientais.

“Para os europeus, a maior ameaça ao acordo é o presidente Jair Bolsonaro e sua desconsideração pela preocupação global com o fraco histórico ambiental do Brasil e o crescente desmatamento na Amazónia”, escrevem os analistas da Eurasia.

O acordo entre União Europeia e Mercosul

O acordo comercial entre os dois blocos já passou pelas primeiras etapas e está na fase de revisão legal, mas os problemas mal começaram, pois já há oposição explícita ao tratado em todos os três níveis do lado europeu que precisam dar o sinal verde.

O acordo só vale se tiver unanimidade no Conselho Europeu (órgão que reúne os líderes dos 27 países membros) e maioria no Parlamento Europeu (705 eurodeputados formam o Legislativo da UE).

Também precisa passar pelos parlamentos nacionais e regionais (no caso de federações, como a Bélgica). Caso reprovado em qualquer uma dessas instâncias, ele volta à estaca zero.

O governo da Áustria já se mostrou contra o acordo, e esse facto, por si só, impediria a unanimidade no Conselho.

Os ministérios da Holanda e da França, um dos países mais poderosos do bloco, pediram o endurecimento das regras de controle ambiental nos tratados não assinados (caso do Mercosul).

Na análise da Eurasia, a França terá papel fundamental no futuro do tratado, agora “no frigorífico”.

“Dada a iniciativa de Paris de consagrar o acordo climático nos acordos comerciais da UE e impulsionar sua implementação, qualquer desvio dos compromissos do Brasil por Bolsonaro tornaria impossível a Macron apoiar o acordo”, afirmam.

Um dos pontos de discórdia para a assinatura do acordo é justamente o aumento do desmatamento da Amazônia, flagrante desde o início do governo Bolsonaro.

O Brasil se comprometeu a seguir o Acordo de Paris para combater mudanças climáticas e reverter o desmatamento, mas não está conseguindo cumprir o acordado, conforme os últimos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

“No entanto, com Bolsonaro defendendo as opiniões do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o clima e zombando do clamor internacional durante os devastadores incêndios florestais em 2019, os europeus estão perdendo a confiança nos compromissos do Brasil”, afirmaram os analistas da Eurasia.

George Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil, também afirmou recentemente que o desmatamento da Floresta Amazônica “está tornando cada vez mais difícil” a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Segundo os analistas da Eurasia, as últimas ações do governo Bolsonaro, juntamente com um aumento de 55% no desmatamento da Amazônia neste ano e os riscos de incêndios florestais na estação seca, alimentarão a oposição à parceria com o Mercosul.

O recente comportamento do ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles, sugerindo “passar a boiada” para aprovar reformas infra-legais, incluindo alterações ambientais, também não caiu bem.

Por enquanto, avaliam os analistas, a UE tentará ganhar tempo. Quando o texto jurídico estiver finalizado, serão necessários cinco meses para traduzi-lo em todas as 24 línguas oficiais da UE e do Mercosul. As discussões no Conselho não devem começar antes de Outubro.

“A esperança entre os muitos defensores europeus do pacto será que Bolsonaro não balance muito o barco nesse meio tempo”, diz a Eurasia.

*Com informações da Folha de S.Paulo e do G1

Fonte: euqueroinvestir.com / 

Author: Diplomacia

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