Dom. Nov 17th, 2019

Diplomatas reunidos em Díli defendem papel crucial da diplomacia preventiva

Diplomatas de vários países, incluindo Timor-Leste, defenderam a importância de reforçar mecanismos de diplomacia preventiva e de sistemas de aviso precoce como instrumento para prevenir ou evitar conflitos.

Diplomacia preventiva e alerta prévios são importantes instrumentos nos esforços de reduzir conflito”, disse num seminário em Díli, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Dionísio Babo.

“Numa região estratégica e tão diversa como a nossa temos que desenvolver um adequado sistema de aviso prévio. Para nós, trata-se de um instrumento de reforço de capacidades tanto para a comunidade como para o Governo, ajudando a identificar os principais agentes de conflito”, destacou.

Dionísio Babo falava em Díli na abertura de um encontro do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)sobre o papel da diplomacia preventiva e de alertas prévios na resolução de conflitos, copresidido por Timor-Leste, Indonésia, Estados Unidos e Nova Zelândia.

Timor-Leste, sustentou o ministro timorense, “simboliza os esforços de promover paz depois de uma longa história de conflito” em que a luta pela independência “foi caracterizada por muita violência e a perda de muitas vidas”.

Considerando essencial trabalhar para “promover a paz, a reconciliação e o diálogo”, Babo disse que o o Fórum Regional da ASEAN é um espaço crucial para responder aos desafios neste campo na região, considerando essencial trabalhar em parcerias entre Estados para responder a conflitos que, por vezes, começam com uma dimensão nacional, mas que depois alastram para outros Estados.

Babo considerou primordial o envolvimento da sociedade civil, destacando o “alto nível de inclusividade e participação de todos os setores da sociedade no diálogo e nos esforços de construção da paz”.

O embaixador indonésio em Díli, Sahat Sitorus, sublinhou o papel da ASEAN como “ponte para reunir todos na mesa de negociação”, com registos positivos na “manutenção de paz e segurança na região” e intervenção, para reduzir tensões, em conflitos.

O diplomata declarou que construir um sistema de democracia preventiva e aviso prévio, são necessárias “ações sistemáticas”, com o fortalecimento da “confiança entre os países, o diálogo continuo e o reforço das capacidades em responder rapidamente para evitar a escalada de conflitos”.

“O poder destes mecanismos depende também da cooperação e diálogo entre a sociedade civil e estruturas oficiais”, disse.

já a embaixadora dos Estados Unidos em Díli, Kathleen Fitzpatrick, saudou o “valioso contributo” que Timor-Leste tem tido no fórum, mais uma prova do “porquê dos Estados Unidos apoiarem os esforços de Timor-Leste se tornar membro da ASEAN”.

Por sua vez, a embaixadora da Nova Zelândia em Díli, Vicki Poole, insistiu que na prevenção do conflito há muito que os países não podem fazer sozinhos e “a que só podem responder efetivamente de forma coletiva”.

“Este é o modelo essencial da diplomacia preventiva. Este é o valor de trabalhar em conjunto para alcançar paz e estabilidade”, frisou.

O encontro de três dias tem como objetivo “aprofundar e melhorar a compreensão dos princípios da diplomacia preventiva” e “explorar formas sobre como a ASEAN pode reforçar a capacidade de impedir a escalada dos conflitos regionais através da implantação de mecanismos de alerta precoce e de resposta antecipada”.

Na reunião participam representantes dos membros do Fórum Regional da ASEAN, nomeadamente a Austrália, Bangladesh, Brunei, Camboja, Canadá, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Mongólia, Myanmar, Nova Zelândia, Paquistão, Papua Nova Guiné, Filipinas, Rússia, Singapura, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste, União Europeia e Vietname.

O encontro conta ainda com representantes do Instituto da ASEAN para a Paz e Reconciliação e do Grupo de Pessoas Eminentes, instituições e organizações nacionais e regionais envolvidas no alerta precoce e na paz e segurança, bem como aquelas que trabalham com mulheres, jovens e populações minoritárias.

Fonte: Agência Lusa

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