Qua. Ago 21st, 2019

Venezuela: Rangel diz que há emigrantes portugueses “de primeira e de segunda”

“Santos Silva faz acusações, mas não responde à pergunta: há ou não há nos três milhões e meio de refugiados venezuelanos, portugueses ou pessoas lusodescendentes. Se há, quem são, onde estão e o que é que nós fizemos”, questionou o cabeça da lista do PSD às europeias.

O cabeça de lista do PSD às europeias afirmou esta sexta-feira que o ministro dos Negócios Estrangeiros, que o acusou de aproveitamento político, nunca disse se há ou não portugueses entre os refugiados venezuelanos, concluindo que existem “emigrantes de primeira e segunda”.

“Santos Silva faz acusações, mas não responde à pergunta: há ou não há nos três milhões e meio de refugiados venezuelanos, portugueses ou pessoas lusodescendentes. Se há, quem são, onde estão e o que é que nós fizemos”, questionou Paulo Rangel, que falava aos jornalistas à margem da visita à Qualifica – Feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego, que decorre na Exponor, em Matosinhos.

Para o cabeça de lista do PSD é praticamente impossível que, entre os 3,5 milhões de refugiados no Peru, na Colômbia ou no Brasil, não existam portugueses ou lusodescendentes.

“O Presidente da República disse que há. O governo nunca disse que não havia. Nunca falou deles. Aquilo que eu digo é que há emigrantes de primeira e de segunda, os que são refugiados pelos vistos ninguém cuida deles”, afirmou, defendeu que a questão da Venezuela é uma questão muito séria, “não é para fazer de pingue-pongue”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, criticou hoje o que considerou um aproveitamento das dificuldades vividas na Venezuela para fins políticos, depois de, na quinta-feira, Paulo Rangel o ter desafiado a esclarecer se há portugueses entre os “3,5 milhões de refugiados” que deixaram a Venezuela, acusando o executivo de usar uma “diplomacia de pantufas” nesta matéria.

Augusto Santos Silva salientou que faz uma distinção muito clara entre o seu trabalho e as “manifestações daqueles que querem tornar as dificuldades das pessoas em oportunidades eleitorais”, destacando que este não é o seu caminho.

“Eu não lhe fiz nenhuma acusação fiz-lhe duas perguntas. Espero duas respostas. Há ou não portugueses entre os refugiados? Se há, o que é que nós estamos a fazer por eles”, reiterou Paulo Rangel, em resposta às declarações de Santos Silva.

Para o social-democrata, Portugal devia procurar identificar estes cidadãos e, depois, através das embaixadas, fazer diligências no sentido de saber se é possível resgatar essas pessoas.

Paulo Rangel disse ainda que Santos Silva tem de clarificar se continua a acreditar que as milícias que atuam na Venezuela existem ou não existem. 

“Ele disse que não existiam e hoje está mais que demonstrado que a maior ameaça para a estabilidade dos venezuelanos em geral, mas também da comunidade portuguesa, são as milícias”, defendeu.

Questionado sobre se considera que o governo estava distraído com a polémica em torno da lista do PS às eleições europeias de maio, Paulo Rangel considerou ser natural que um governo “que perde dois ministros para uma campanha eleitoral” esteja “fragilizado” e, portanto, “não pode dar atenção aos assuntos que deve dar”.

Fonte: Lusa

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *